30 de ago de 2014

Desabafo

Percorri um longo e tortuoso caminho
Rasguei pedaços e joguei-os ao vento
Poucos sentimentos me ficaram inteiros
Juntei os pedaços e aos poucos os fui colando, um a um.
Foi doído, mas aos poucos os sentimentos que restaram.
Foram tomando forma
Hoje poço dizer que tudo tem seu tempo, sua hora.


 Marinelma

27 de ago de 2014




TRATADO MANSO DE LOUCURA
Como amo a paz de estar comigo!
Essa fusão de alma-umbigo,
esse roteiro quente do meu sangue.
Eu que conheço cada palmo dos meus passos,
que me retenho e me disponho.
Faço dos versos meu avesso,
dos adversos, meu passado,
das alegrias, meu recomeço.
Deito liquefeita e, de repente,
amanheço solidificada.
Sou água, sou pedra,
às vezes nuvem,
às vezes nada.
Por ser inconstante e difusa,
enrolo e desenrolo essa vida
num movimento mágico e confuso,
admito ser ou não ser
e ser assim.
Como é bom sentir-me tão querida,
tão bem-amada e tão dividida,
eu resolvida inteiramente por mim!

© FLORA FIGUEIREDO
In Florescência, 1987

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